PARQUE NATURAL DO VALE DO GUADIANA

A natureza acontece aqui!

O Parque Natural do Vale do Guadiana estende-se por 69.665,94 ha, abrangendo parte dos concelhos de Mértola e Serpa num troço de rio que se estende desde uma zona a montante do Pulo do Lobo até à foz da ribeira de Vascão, fronteira entre o Alentejo e o Algarve.

De um modo muito simplificado, as diversas unidades paisagísticas do Parque Natural estão distribuídas por três grandes estruturas geomorfológicas:

– as planícies ondulantes, que dominam em área e onde se encontram as culturas extensivas de sequeiro, as áreas de esteval e os montados de azinho;
– as elevações quartzíticas das serras de São Barão e Alcaria; nesta última encontra-se o ponto mais alto do Parque Natural. Daqui, com apenas 370 m, consegue-se desfrutar de uma magnífica panorâmica sobre o relevo suave da planície alentejana e o enrugado resultante da influência próxima da serra algarvia; e
– os imponentes vales encaixados do rio Guadiana e seus afluentes, marginados por escarpas e fantásticos matagais mediterrânicos – a formação que mais se aproxima da vegetação original da região, restringida hoje às zonas mais inacessíveis, onde a intervenção humana pouco se faz sentir. 

A paisagem varia muito ao longo do ano: é árida e agreste no verão, no inverno sucedem-se os prados verdes que vão dando lugar a uma explosão de cores com a
aproximação da primavera.
Subjugado a um regime de torrencialidade, nos verãos mais secos as ribeiras afluentes do Guadiana ficam reduzidas a pegos enquanto que nos invernos mais
chuvosos o caudal aumenta significativamente.

A BIODIVERSIDADE
A bacia hidrográfica do Guadiana é a mais importante em Portugal para a conservação de peixes de águas interiores, representados por 11 espécies de peixes nativos e residentes, sendo a maior parte endemismos ibéricos. Destacam-se o saramugo (Anaecypris hispanica), da boga-do-guadiana (Pseudochondrostoma willkommii), do barbo-de-cabeça-pequena (Luciobarbus microcephalus) e do caboz-de-água-doce (Salaria fluviatilis), que apenas ocorrem nesta bacia hidrográfica em Portugal. Este é também um importante local de reprodução ou crescimento para 4 espécies de peixes migradores, nomeadamente a lampreia (Petromyzon marinus) o sável (Alosa alosa), a savelha (A. fallax) e a enguia-europeia (Anguilla anguilla).

O coberto vegetal é dominado por montados de azinho, com presença modesta do sobreiro, extensas áreas de esteval e de culturas de sequeiro, mostrando estarmos em pleno Alentejo.

No domínio da avifauna destacam-se as aves de presa, como a águia-imperial-ibérica, a águia-real, o grifo, o abutre-preto, o bufo-real, entre muitas outras; aves estepárias como a abetarda, o sisão ou o cortiçol-de-barriga-preta, e um importante cortejo de passeriformes (vulgo pássaros). Em Mértola, ocorre a última colónia urbana e uma das mais importantes a nível nacional, de uma espécie bastante rara e ameaçada – o francelho ou peneireiro-das-torres (Falco naumanni).
Estas são ainda as terras do lince-ibérico, felino que estava extinto em Portugal e agora povoa as terras do Guadiana, graças a um programa de reintrodução que iniciou em Mértola em 2014.

O que visitar ao longo do ano

Verão
No rio, as velhas azenhas e o moinho dos Canais convidam-no(a) a apreciar a proximidade da água. Mas não tome banho nestes locais uma vez que a corrente da
água é forte junto aos moinhos. Para tomar banho opte pela praia fluvial da Tapada Grande na Mina de S. Domingos.
No último fim de semana de agosto, participe nas festas anuais na ermida de Nossa Sra. de Aracelis, enquanto aprecia a extensa paisagem.
Faça um passeio de barco pelo Guadiana até ao Pomarão ou uma descida de rio em canoa/Kayak.

Outono
Assista à brama dos veados e sinta o pulsar da natureza bravia.
No final do outono, assista às paradas nupciais das grandes águias.

Vá até ao posto de observação de Lince Ibérico em S. João dos Caldeireiros, fica junto à Igreja, leve uns binóculos, e se tiver sorte pode ser que consiga observar um lince-ibérico. Esteja atento aos céus, por esta altura é normal o céu ser cruzado por bandos de grifos em migração para sul.

Inverno

Visite o Pulo do Lobo no coração do Parque Natural, uma queda de água no Guadiana com um desnível de 16 m de altura.
Visite o montado, de janeiro a fevereiro é fácil encontrar varas de porcos pretos à procura de bolotas para se alimentarem.
Esta altura é ainda perfeita para ver bandos de grous em invernada.
Visite um dos moinhos de água na ribeira do Vascão que está protegida pela Convenção de Ramsar graças aos seus enormes valores naturais. Aqui ocorre uma
das espécies mais emblemáticas da ictiofauna do Parque, o Saramugo, um pequeno peixe com certa de 7cm que é endémico da Península Ibérica.

Primavera
No inicio da Primavera chegam à vila os francelhos ou peneireiros-das-torres, um pequeno falcão que nidifica na vila. Esta é a única colónia urbana de francelho que
ainda persiste em Portugal.
A planície cobre-se de flores. Faça um dos percursos pedestres do parque natural.
Suba à serra da Alcaria para ver o contraste da paisagem entre o parque natural e a ZPE (Zona de Proteção Especial para as Aves) de Castro Verde. Esta é a altura ideal
também para fazer birdwatching, sugerimos que conheça a Rota de Observação de Aves e reserve um guia para ir ver as paradas nupciais das abetardas.
Esta é uma área natural com importantes valores naturais que é fundamental salvaguarda, seja um agente ativo na proteção da natureza e siga o código de conduta
de visita às áreas protegidas.

BOA CONDUTA NA VISITA À ÁREA PROTEGIDA

ONDE COMER?

Descubra os melhores restaurantes típicos e tradicionais alentejanos, no nosso concelho.

ONDE DORMIR?

O concelho de Mértola tem uma variada oferta de alojamentos, para todos os gostos, desde hotéis, casas de habitação no centro histórico e turismo rural.