MÉRTOLA, VILA MUSEU

O concelho de Mértola localiza-se na região Sudeste de Portugal e ocupa uma extensão de cerca de 1292 km2.
Pertence ao distrito de Beja e integra-se na região do Baixo Alentejo.

A antiguidade desta região é atestada pelos diversos vestígios arqueológicos que comprovam a ocupação contínua deste território. Por todo o concelho abundam provas de um povoamento precoce, os primeiros vestígios remontam ao Neolítico, há cinco mil anos atrás. A Mértola, chegam Iberos, Fenícios, Gregos e Cartagineses, numa ocupação que tinha por mote o controlo das rotas comerciais. A romanização de Mértola deu-se ao longo do séc. II a.C., com a ocupação efetiva do território, a verificar-se na segunda metade desse século.

A importância de Mértola é explicável pelo papel económico e estratégico do próprio Guadiana. Esta grande artéria fluvial era na época a principal porta para zona do Alentejo interior e a única via de contacto com o Mediterrâneo.

Designada de Iulia Myrtilis ou Myrtilis Iulia, a cidade assume a importância da sua atividade comercial. Na Antiguidade Tardia, Myrtilis manteve a sua importância económica e a sua vocação mercantil.

Chegam os primeiros evangelizadores cristãos e na arquitetura religiosa o período testemunha a edificação das primeiras construções cristãs de que é exemplo a Basílica Paleocristã do Rossio do Carmo. As convulsões militares que abalavam o império romano criaram situações de insegurança e instabilidade na cidade. Pelo concelho surgem, vestígios de comunidades visigóticas representadas por diversos vestígios arquitetónicos deixados no território.

Com a invasão dos povos do Norte de África, liderados por Tarik em 711, Mértola reafirma a sua função comercial e reforça a sua condição de porto mais Ocidental do Mediterrâneo. Ocorre nesta altura uma das fases mais importantes da história deste território e a cidade de Martulah (apelidada pelos mouros) chega a ser durante um curto período no século XI, capital de um pequeno emirado islâmico independente, a taifa de Mértola.

A reconquista cristã deu-se no reinado de D. Sancho II, pelo comendador da Ordem de Santiago, Paio Peres Correia, em 1238. O território foi então doado à Ordem dos Cavaleiros de Santiago e, progressivamente, foi perdendo a sua importância comercial.


Mértola foi sede nacional da Ordem de Santiago durante várias décadas (até 1316) e tutelava um vasto território em seu redor.

Em 1512, D. Manuel I dá Foral a Mértola e durante os séculos XVI e XVII, o porto atinge novo fulgor com a exportação de cereais para as ocupações portuguesas no Norte de Africa.

Já nos finais do séc. XIX, a descoberta e exploração do filão mineiro na serra de “Sancto” Domingos deu novo ânimo a terras de Mértola. Na aldeia de S. Domingos ergueu-se um complexo mineiro e consequentemente um aglomerado populacional significativo. Com o declínio da exploração mineira na década de 60, o concelho assiste a um êxodo populacional massivo, perde mais de 50% da sua população para nunca mais a recuperar.

Nos anos 80 a intensa atividade arqueológica deu a conhecer o passado grandioso da vila, revelando um vasto património descoberto que até então estava esquecido.
Da cidade romana e islâmica, além do seu próprio traçado urbano restam alguns vestígios monumentais e, sobretudo, as pequenas marcas da vida de todos os dias e as memórias de muitos saberes.

São estes sinais, estes artefactos, recolhidos em campanhas arqueológicas e rigorosamente estudados, que hoje são o sedimento da sua identidade e o conteúdo dos seus vários núcleos museológicos e que conferem a Mértola o rótulo de Vila Museu.